Há quem me conheça a fundo. Estes com a certeza absoluta sabem da minha segunda paixão (depois do V. de Moraes). Também sabem o quanto eu me debrucei à pesquisa, leitura, sobre o Tropicalismo.
Por mais que hoje pareça-e talvez esteja mesmo- um pouco perdido, um pouco global, Caetano Veloso foi no passado um dos que mais provocou e causou. Foram ele e seu grupo tropicalista odiados por quem fazia música engajada e 100% brasileira, mas também não se encaixava entre os mais conformados, da jovem guarda. Também foram perseguidos pela ditadura e exilados.
Caetano era irreverente, fazia performances loucas e corajosas nos palcos, uma até que influenciou o mais famoso integrante de Secos e Molhados, Ney Matogrosso, que viu o seu futuro modo de causar no cantor e compositor tropicalista vestido de mulher e dançando.
Foi após o exílio, a partir do disco Velô, de 1984, é possível reconhecer o registro do debate cultural pós-moderno, tanto na supremacia das questões raciais e das diferenças culturais, quanto nas cisões das opções sexuais, de gênero, de classe e principalmente do Terceiro Mundo, nas músicas de Caetano Veloso. O olhar pós-colonial, como resposta à modernidade, já havia sido dimensionado a partir das vanguardas artísticas brasileiras dos anos 60: Cinema Novo, Teatro Oficina e o Neo-Concretismo.
É do mesmo disco, Velô, uma das minhas músicas preferidas, "Podres Poderes", que representa o impasse da América Latina perante o seu caminho como continente novo e emancipado, uma América Latina católica que continua sendo submetida pelas grandes metrópoles do Atlântico Norte, mesmo se organizando em repúblicas, que quando voam mais alto são abatidas por golpes ditatoriais. Mesmo assim, apresentam novos signos renovadores e questionadores desta retórica social.
Podres Poderes- Caetano Veloso
Enquanto os homens exercem seus podres poderes, motos e fuscas avançam os sinais vermelhos e perdem os verdes. Somos uns boçais...!
Queria querer gritar setecentas mil vezes como são lindos, como são lindos os burgueses, e os japoneses. Mas tudo é muito mais!
Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América católica que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será, que será, que será. Será que essa minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres, e adolescentes fazem o carnaval.
Queria querer cantar afinado com eles, silenciar em respeito ao seu transe num êxtase, ser indecente. Mas tudo é muito mau!
Ou então cada paisano e cada capataz, com sua burrice fará jorrar sangue demais, nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais.
Será que apenas os hermetismos pascoais, os tons e os mil tons, seus sons e seus dons geniais nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes, morrer e matar de fome, de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais.
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo daqueles que velam pela alegria do mundo, indo mais fundo, tins e bens e tais.
terça-feira, 28 de julho de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
Perfil .
Querer mudar o mundo, uma tarefa nada fácil para se completar, para se responsabilizar... Penso que muitos se apegam a ela, e sentem peito esvaziar, se angustiam, vendo que resta um mundo que chora.
Como concretizar essa morfose...?! Toda vez que eu acho que encontrei um meio alguém me veta!
Não é fácil não ter liberdade de ações futuras quando se vive com os pais, e é jovem!
É, eu não posso escolher 100% do meu futuro.
Como muitos, saber que o mundo precisa de mim é o que me faz viver, é o meu etanol.
Viver também é errar, sofrer, se arrepender, e por incrível que pareça, gostamos de viver. Errar e sofrer foi intrínseco para mim, porque eu me senti mais crescida e tolerante depois de muitos episódios problemáticos e desgastantes da minha vida. Como disse, depois de tudo, virei uma pessoa bem tolerante, com tudo e com todos, e o mais irritante, por me deixar impotente, é ter que conviver e obedecer a quem não conhece o meu histórico- assim essas são as mesmas pessoas que não entendem a minha tolerância e confiança nas pessoas. Já tive que me desfazer de muitas amizades pelos meus parentes e já tentei defender das acusações ignorantes feitas por eles à vários grupos oprimidos pelo preconceito. Obviamente, não obtive muito sucesso.
É, eu amo pessoas, amo conhecer pessoas novas, diferentes, com experiências de vida diferentes, e eu amo poder ajudar, defende-las e assim fazer parte da vida delas, e mesmo não fazendo, me dá muito prazer.
Uma música que retrata todo esse sentimento de compaixão, de tolerância com o diferente da minha realidade é “Olhos Abertos” de Zé Rodrix, mais conhecida na voz de Elis Regina:
“Atravessando uma ponte de noite, no meio da chuva
Cercada pelo silêncio daquela cidade do interior
Depois da ponte uma estrada de terra, molhada de chuva
Cercada pelo silêncio e sem nenhum pedaço de amor
Vendo os olhares desertos de tantas pessoas antigas
Tantas pessoas amigas querendo um cigarro e um carinho
Gente que puxa uma briga na estrada, com os olhos brilhando
Precisa só de um abraço, bem forte e bem dado
E eu quero encontrar as pessoas
De mãos e olhos abertos
Sem me preocupar com dinheiro e posição
Eu preciso encontrar as pessoas
Ficar de mãos dadas com elas
Conversar com a boca e os olhos do coração”
Sinto que estou aqui pra isso, quero conhecer todo o tipo de pessoa, seja pobreou rica, seja de esquerda ou direita, seja de qualquer gênero, seja GLS, seja inteligente ou burro, seja de qualquer religião e etnia, e são pra essas pessoas que eu vou mostrar a minha retórica, ouvir opiniões com os olhos brilhando ou com a cara amarrada, e remontar a minha retórica. Comunicação não é surreal? É esse o meu jeito de mudar o mundo . Ninguém me impedirá de fazer isso, nem meus próprios pais.
Como concretizar essa morfose...?! Toda vez que eu acho que encontrei um meio alguém me veta!
Não é fácil não ter liberdade de ações futuras quando se vive com os pais, e é jovem!
É, eu não posso escolher 100% do meu futuro.
Como muitos, saber que o mundo precisa de mim é o que me faz viver, é o meu etanol.
Viver também é errar, sofrer, se arrepender, e por incrível que pareça, gostamos de viver. Errar e sofrer foi intrínseco para mim, porque eu me senti mais crescida e tolerante depois de muitos episódios problemáticos e desgastantes da minha vida. Como disse, depois de tudo, virei uma pessoa bem tolerante, com tudo e com todos, e o mais irritante, por me deixar impotente, é ter que conviver e obedecer a quem não conhece o meu histórico- assim essas são as mesmas pessoas que não entendem a minha tolerância e confiança nas pessoas. Já tive que me desfazer de muitas amizades pelos meus parentes e já tentei defender das acusações ignorantes feitas por eles à vários grupos oprimidos pelo preconceito. Obviamente, não obtive muito sucesso.
É, eu amo pessoas, amo conhecer pessoas novas, diferentes, com experiências de vida diferentes, e eu amo poder ajudar, defende-las e assim fazer parte da vida delas, e mesmo não fazendo, me dá muito prazer.
Uma música que retrata todo esse sentimento de compaixão, de tolerância com o diferente da minha realidade é “Olhos Abertos” de Zé Rodrix, mais conhecida na voz de Elis Regina:
“Atravessando uma ponte de noite, no meio da chuva
Cercada pelo silêncio daquela cidade do interior
Depois da ponte uma estrada de terra, molhada de chuva
Cercada pelo silêncio e sem nenhum pedaço de amor
Vendo os olhares desertos de tantas pessoas antigas
Tantas pessoas amigas querendo um cigarro e um carinho
Gente que puxa uma briga na estrada, com os olhos brilhando
Precisa só de um abraço, bem forte e bem dado
E eu quero encontrar as pessoas
De mãos e olhos abertos
Sem me preocupar com dinheiro e posição
Eu preciso encontrar as pessoas
Ficar de mãos dadas com elas
Conversar com a boca e os olhos do coração”
Sinto que estou aqui pra isso, quero conhecer todo o tipo de pessoa, seja pobreou rica, seja de esquerda ou direita, seja de qualquer gênero, seja GLS, seja inteligente ou burro, seja de qualquer religião e etnia, e são pra essas pessoas que eu vou mostrar a minha retórica, ouvir opiniões com os olhos brilhando ou com a cara amarrada, e remontar a minha retórica. Comunicação não é surreal? É esse o meu jeito de mudar o mundo . Ninguém me impedirá de fazer isso, nem meus próprios pais.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
"(...) O MELHOR DA VIDA É ISSO E ÓCIO, ISSO E ÓCIO."
Penso que qualquer indivíduo, de qualquer gênero, classe social, idade, já tenha passado por um momento de tédio. É algo normal na vida de todos.
Eu estou passando por momentos terríveis de tédio. Inclusive foi esse um dos motivos de eu ter criado esse blog.
Fiquei refletindo essa tarde, por que ficar sentado no sofá assistindo mtv? Por que eu não sair da solidão, passear , andar, e ver os amigos que estão a 5 quadras da sua humilde residência? Cheguei a conclusão que o tédio, pelo menos no meu caso, está um pouco ligado à preguiça. Sim, pois eu só nao fui fazer isso porque eu precisaria ainda tomar banho, me arrumar,... Ou ao dinheiro, por que pra certos programas é preciso grana.Mas não são os motivos principais.
Tem quem adore o ócio, goste de tédio, de horas de solidão pra praticar introspecções. Se conhecer, pensar, chorar sozinho.
São coisas que me dão muito prazer. Tem pessoas que associam isso com depressão, eu acredito que é só um jeito de viver, de lidar com a vida.
Tédio é o limite do prazer do ócio, significando 100% de decanso e paz, podem me achar maluca, mas são nesses momentos terríveis de nada que eu fiz tudo. Li livros, assisti tv, escrevi, fui atrás do meu passado, do meu futuro, assisti filmes malucos, cantei, cantei, cantei, ouvi músicas novas, ouvi aquelas músicas que nunca irão me abandonar, refleti sobre o meu eu, vi todos os dias a noite cair,... Não é gostoso? Então por que reclamar do tédio?
Eu estou passando por momentos terríveis de tédio. Inclusive foi esse um dos motivos de eu ter criado esse blog.
Fiquei refletindo essa tarde, por que ficar sentado no sofá assistindo mtv? Por que eu não sair da solidão, passear , andar, e ver os amigos que estão a 5 quadras da sua humilde residência? Cheguei a conclusão que o tédio, pelo menos no meu caso, está um pouco ligado à preguiça. Sim, pois eu só nao fui fazer isso porque eu precisaria ainda tomar banho, me arrumar,... Ou ao dinheiro, por que pra certos programas é preciso grana.Mas não são os motivos principais.
Tem quem adore o ócio, goste de tédio, de horas de solidão pra praticar introspecções. Se conhecer, pensar, chorar sozinho.
São coisas que me dão muito prazer. Tem pessoas que associam isso com depressão, eu acredito que é só um jeito de viver, de lidar com a vida.
Tédio é o limite do prazer do ócio, significando 100% de decanso e paz, podem me achar maluca, mas são nesses momentos terríveis de nada que eu fiz tudo. Li livros, assisti tv, escrevi, fui atrás do meu passado, do meu futuro, assisti filmes malucos, cantei, cantei, cantei, ouvi músicas novas, ouvi aquelas músicas que nunca irão me abandonar, refleti sobre o meu eu, vi todos os dias a noite cair,... Não é gostoso? Então por que reclamar do tédio?
terça-feira, 21 de julho de 2009
AS ÚLTIMAS FOLHAS DO CADERNO
Foi depois de um jogo da verdade, em que me perguntaram se eu acreditava no amor. E eu respondi que não. Não querendo ser intimista, mas sendo: o que aconteceu comigo? Eu não era assim...!
As dezenas de poesias que eu fazia pensando nos amores possíveis e impossíveis, todas as minhas músicas preferidas do Vinícius de Moraes, a minha biografia sem fim e até aquela lista de coisas que eu deveria fazer antes de morrer (com ações que eu achava, na época, impossíveis de serem cumpridas, mas que metade já foram feitas), tudo isso nos fundos dos meus cadernos do 1° e 2° ano do Ensino Médio.
Agora o curioso. Eu não acreditava quando me diziam que esse amor pelo mundo, que toda essa paixão, todos os meus sonhos ingênuos iriam passar com a idade. Mas agora, vejo sim, que a cada ano eu estou mais cética, e a vida me mostra, me prova isso nas menores coisas.
Nos meus cadernos do ano passado somente 3 crônicas minhas nas últimas páginas, totalmente sociopolíticas. Nenhuma poesia de amor, nenhuma letra de V. de Moraes. Nos meus cadernos atuais, os fundos estão em branco.
Hoje me afogo em realidade e ceticismo. Tenho saudade dos meus impulsos, das minhas paixões.
Quero me apaixonar pela vida e pessoas sem receios e ingenuamente, como no passado, porém ja fui programada pra desconfiar de qualquer um para não sofrer.
Crescer é bom, mas os seus contras me nocauteam.
Obs.: Podem achar que não tem nada a ver com o título, mas eu nao quero discutir o tema do título, a proposta é discutir temas normais como esse. Ah, e se tiver algum erro de pensamento, de português, de coesão, coerencia e afins me avisem, e me deem um crédito, saomaisdetrêshorasdamanhã!!!!! hahahaha
As dezenas de poesias que eu fazia pensando nos amores possíveis e impossíveis, todas as minhas músicas preferidas do Vinícius de Moraes, a minha biografia sem fim e até aquela lista de coisas que eu deveria fazer antes de morrer (com ações que eu achava, na época, impossíveis de serem cumpridas, mas que metade já foram feitas), tudo isso nos fundos dos meus cadernos do 1° e 2° ano do Ensino Médio.
Agora o curioso. Eu não acreditava quando me diziam que esse amor pelo mundo, que toda essa paixão, todos os meus sonhos ingênuos iriam passar com a idade. Mas agora, vejo sim, que a cada ano eu estou mais cética, e a vida me mostra, me prova isso nas menores coisas.
Nos meus cadernos do ano passado somente 3 crônicas minhas nas últimas páginas, totalmente sociopolíticas. Nenhuma poesia de amor, nenhuma letra de V. de Moraes. Nos meus cadernos atuais, os fundos estão em branco.
Hoje me afogo em realidade e ceticismo. Tenho saudade dos meus impulsos, das minhas paixões.
Quero me apaixonar pela vida e pessoas sem receios e ingenuamente, como no passado, porém ja fui programada pra desconfiar de qualquer um para não sofrer.
Crescer é bom, mas os seus contras me nocauteam.
Obs.: Podem achar que não tem nada a ver com o título, mas eu nao quero discutir o tema do título, a proposta é discutir temas normais como esse. Ah, e se tiver algum erro de pensamento, de português, de coesão, coerencia e afins me avisem, e me deem um crédito, saomaisdetrêshorasdamanhã!!!!! hahahaha
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